| Resumo do projecto editorial |
|
|
|
Ideias chave para o nascimento de um jornal
Muitas vezes me perguntam porque é que a imprensa é habitualmente crítica, porque é que “os jornalistas são quase sempre do contra” e “só gostam de dizer mal”. A pergunta assenta num dado verdadeiro e, nesse sentido, tem toda a razão de ser. Mas tem também uma resposta que não é nenhum bicho-de-sete-cabeças escondido numa ilha deserta: a função principal da imprensa é a denúncia do que está errado, particularmente quando o mal ainda é oculto e os seus efeitos só se tornam visíveis para todos quando já não há nada a fazer. A imprensa alerta e denúncia, na esperança de que, se algum erro vai ser cometido, que ao menos não seja consumado por falta de informação a tempo e de debate público. Esta é, na essência, a função da imprensa pura e dura. Depois, a opinião pública e os diferentes poderes que façam o que entenderem. Mas, na verdade, por falta de meios, às vezes por falta de coragem ou outro qualquer interesse, a imprensa perde a sua essência principal. Quando comecei a trabalhar no projecto editorial do IR, tive em conta todos estes factos, estas motivações. Nunca buscar a polémica pela polémica. Distinguiremos sempre o que é informação do que é opinião ou publicidade. Nunca procurar ser consensuais, nem óbvios, nem adequados a modas ou a escolas de pensamento. Procurar, isso sim, a verdade, insistir na busca de soluções, confrontar, alertar, debater, mostrar até nos doerem as mãos. É este o nosso código genético. Mas não tenhamos a ilusão de que vai ser fácil. Pelo contrário. É uma dificuldade aliciante, um facto que motiva mais do que desanima. Os jornalistas, quase todos a começar agora a sua actividade profissional, estão prontos para trabalhar. O IR quer ser a prova de que para se fazer um bom jornal não é necessária uma estrutura pesada, mas apenas um bom núcleo duro de profissionais. Leia-se: uma vigorosa política editorial, uma liderança forte (em todos os sectores), e um punhado de jornalistas que investem seriedade e tempo (o bem mais escasso por estes dias) no tratamento das matérias. Carisma e trabalho. São estas as chaves mestras deste novo projecto.
IR a todo o concelho
A nossa dependência da informação local será o sinal mais forte da nossa independência. A âncora central deste jornal: procurar abordar todos os quadrantes da sociedade civil do concelho de Palmela, com especial enfoque na actividade política, social, desportiva, associativa, económica e cultural, cujos agentes terão da redacção deste jornal a maior abertura. Os principais pólos urbanos, como a sede do concelho, a vila de Pinhal Novo e as aldeias de Quinta do Anjo, Marateca e Poceirão merecerão tratamento consentâneo com a sua importância no quadro concelhio. O Impacto da Região não esquecerá, porém, todas as localidades mais rurais, cujas actividades serão credoras da melhor atenção deste jornal, que procurará assim consolidar e reforçar a sua implantação homogénea em todo o concelho. Estaremos, porém, com a sede de redacção no Centro Histórico de Palmela. E porquê? Porque é o nosso (pequeno) contributo para levar à zona mais nobre do concelho, a vida e a alma que toda este espaço merece.
Espaços âncora
O jornal reitera a prática de um jornalismo cívico. Um jornalismo de causas, baseado num sistema de valores democráticos. A redacção assume a sua responsabilidade social e procurará guiar-se por uma agenda mediática onde figurem os problemas, interesses e aspirações das comunidades. A grande reportagem, a entrevista e a notícia serão os pilares centrais da estrutura editorial. Mas há outras apostas fortes: diversos espaços de opinião. Em páginas de jornal um bom jornalista pode contextualizar a coisa, pode reabrir o processo de sucessão dos acontecimentos, pode ouvir todas as partes e passar os cheiros e as cores, ou os problemas, as angustias, os dramas, também os sucessos, as alegrias. Obrigar ao debate e à reflexão, à procura de soluções. Num jornal pode – e deve – respeitar-se a densidade, a complexidade, a vida. Longe das sínteses forçadas e empobrecedoras. Se a periodicidade semanal é perfeita para isto, o IR quer aproveitá-la bem. E, desta maneira, ao fornecer mais dados ao leitor, ao cidadão, mais informação para pensar, para escolher, está a contribuir para o aprofundamento de uma democracia consciente no concelho de Palmela.
O conceito
O conceito editorial que nos orienta desde o começo pode ser traduzido desta forma: por cada porta fechada, mil janelas abertas. Foi assim, é assim: “o céu é o limite”, e nessa circunstância a imaginação vence o dinheiro, o espaço o tempo. Há sempre uma saída para a crise. Como num livro de onde um de nós retirou este diálogo:- Chefe, tenho um problema!- Sim, senhor. E tem solução para ele?- Não, não tenho…- Então você faz parte do problema! Não há problemas sem solução, nem foi criada a profissão de “solucionador de problemas”. Assim sendo, não nos resta mais do que ter solução para eles no momento em que nascem.
Compromissos
Quanto tempo pode durar? Ninguém fez “projectos de vida”, ninguém acha que é “até que a morte nos separe”. Esta “estranha forma de vida” deu o mais deslumbrante resultado: renovou o empenho todos os dias, garantiu um nascimento que, quase ninguém esperava, e permite chegar a este número inicial com uma inquietação cuja primeira e mais relevante consequência é, afinal, a melhor: criatividade. Não queremos – não fazemos – um jornal indiferente. Corremos riscos, incomodamos gente, somos críticos, contestamos afirmações, multiplicamos interrogações, procuramos verdade. Porque entendemos que a acelerada produção de factos mediáticos (mais até do que de factos noticiosos) cria a necessidade de pontos de referência, estacas firmes em que o leitor possa confiar para construir o seu próprio entendimento do concelho. Os jornais que prosperarem serão os que conseguirem essa solidez. E é isso que prometemos todas as semanas: chaves de leitura para este concelho complexo, veloz e fascinante.Seremos um jornal vivo, jovem, de inovação editorial, gráfica, fotográfica que questiona mais do que afirma, que faz opinião em espaço próprio e não confunde humildade com poder: prometemos um jornalismo de e com impacto. Um jornalismo de causas que honre o código deontológico do jornalista e a lei de imprensa.
Paulo Jorge Oliveira |